09 março 2007

Uma boa ideia

Pronto, estou definitivamente mais soltinha, por isso há que pôr a escrita em dia. Começo por uma boa notícia que me chegou no meio do furacão Anatomia. Que fazer a um telemóvel usado, daqueles que já não ligam, a bateria n funciona, etc? Dar à AMI. É só ir aos CTT e deixar lá!

Divulguem sff

http://www.fundacao-ami.org/ami/artigo.asp?cod_artigo=167324

08 março 2007






Esperamos que o povo veja respeitado o seu direito a expressar-se livremente, sem medo da repressão, a exprimir-se nas urnas e a alcançar o seu pleno potencial através da abertura de mercados", disse (G. W. Bush)

(http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1287610&idCanal=11)

"A minha mensagem para os trabalhadores e camponeses é que podem contar com um amigo na América, que se preocupa com a sua situação difícil", explicou George W. Bush, numa intervenção perante a Câmara Hispana de Comércio, na véspera da partida para o Brasil.

http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1287674&idCanal=11







05 março 2007

incompatibilidades

Finalmente o submarino da Anatomia voltou a terra firme!!! Foram dias passados a contar artérias e a recitar colaterais, numa espécie de coma anatómico auto-induzido. Sábado não foi Sábado, foi dia do tronco e à noite do membro superior, Domingo dia de atrofios, revisões, aprendizagens forçadas… Hoje é dia de anestesia pós teste. E, como sempre, previsões só na pauta.

Mas o dia não foi só a ansiedade matinal, a nébula, o teste e o entorpecimento. Houve ainda que fazer o trabalho de Introdução à Medicina, pensar no tema para o de Preventiva e ainda me falta organizar as papeladas com nomes de artérias espalhadas um pouco por toda a sala e limpar a casa, porque amanhã é novamente dia de labuta – tenho uma apresentação na quinta-feira.

O que me leva ao tema principal deste post. Não sei se é geral ou exclusivo desta faculdade, mas pelo menos por aqui fala-se muito da importância de um médico ser completo a todos os níveis. Em concreto, fala-se da importância de ter uma grande cultura geral. Ora eu concordo com isso. Não por elitismo ou afirmação da classe, mas porque acho que só sabendo e conhecendo muito podemos compreender a realidade humana, enfrentá-la; ver o homem como um todo e não como um potencial candidato à cirurgia ou tratamento x ou y. É preciso compreender as pessoas, o que está por detrás daquele fígado doente que a levou à consulta, saber as motivações, desesperos, medo. Em suma, no meu ponto de vista, o médico deve ser um grande ser humano, mas também um grande humanista.

O problema é que para isso é preciso tempo. Que não nos é dado. Falo por mim. Os filmes são vistos à socapa, as notícias chegam na versão resumida, jornais e revistas são lidos no trono (aka sanita), o livro que estava a ler, bem, com tanta Anatomia já perdi o fio à meada… Aprende-se também muito na interacção social, na vida do dia a dia, nas conversas, a ouvir as opiniões dos outros. Mas até aqui o polvo que é a Medicina lança o seu tentáculo. As conversas com os colegas, salvo raras e honrosas excepções, giram inevitavelmente em torno das cadeiras, materiais disponíveis, queixas mais ou menos gerais. Cada pessoa é “do meu grupo desta ou daquela cadeira” e não “aquela gaja que gosta muito desta ou daquela música, que leu tudo daquele autor, que me falou das tradições dos índios” ou o que quer que seja.

Hoje tive teste de Anatomia, escassas semanas depois da época de exames. Faltam cerca de 3 meses para a próxima época, durante os quais, além de estudar para os exames, há que preparar poster para tudo quanto é cadeira, fazer apresentações quase semanais, escrever diários. E, honestamente, a maior parte de tudo isto é para “encher”. São coisas que não ficam porque não saem nos exames, que a este nível não são particularmente estimulantes por serem tão generalistas, que não contribuem para a nossa cultura médica nem humana e cuja valorização pessoal se limita à nota que delas advier (se é que as vamos saber, já que acabam por não contar quase nada para o todo da cadeira).

Se não fosse tudo isto, o que é que eu faria? Aproveitaria para estar com amigos, pôr as leituras em dia, chatear o meu médico para passar mais umas tardes no centro de saúde, ia para um ginásio, fazia voluntariado, tirava um curso avançado de suporte de vida e tentava melhorar o meu Inglês e o meu Francês. Assim sendo, há que poupar nas viagens porque os livros são caros, não tenho hora para ir ao ginásio, tempo para formações complementares é mentira, os poucos programas bons que dão na televisão em canal aberto são gravados e vistos fora de horas e só não ando alheia da realidade nacional e mundial porque programo o jantar para a hora das notícias e o rádio do carro para a Antena 1.

E assim se formam médicos que acabam o curso com a mesma mentalidade que tinham aos 18 anos, a mesma experiência de vida, a mesma indefinição de personalidades e ideias.

(Ok, esta última parte é um exagero, mas dá para perceber a ideia, certo?)